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O Meu País

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O "Reinado" dos Presidentes

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 O “Reinado” dos presidentes daquela que podemos considerar (o conceito não tem unanimidade de opiniões) como a terceira República, pode ser dividido nas seguintes dinastias: Militar, Civil e Nova.
Na primeira Dinastia – Militar – “reinaram” o general António de Spínola, um brilhante militar que, como Presidente-Rei, não foi lá grande coisa, tendo-se apresentado logo a seguir ao golpe do 25 de Abril como o dono da guerra. Foi ficando cada vez mais irritado com o facto da sua linha política não estar a ser seguida em detrimento da linha definida pelo MFA (que chatice um general obedecer a capitães). Movimentos como a maioria silenciosa, o 28 de Setembro e a fuga para Espanha num helicóptero das FA Portuguesas retiraram-lhe todo o brilho (e brio) que o senhor ex-governador da Guiné, merecidamente, conquistara. Mais tarde promovido com o título (honorífico) de Marechal, pode ser cognominado, O Reaccionário Silencioso.

Ao primeiro presidente depois do 25 de Abril sucedeu o segundo (é sempre assim, a seguir ao primeiro vem o segundo), também general, também um brilhante militar com trabalho reconhecido na Guerra Colonial e punido por ter faltado à chamada da famosa Brigada do Reumático – uma espécie de adoração dos chefes militares portugueses a Dom Marcelo I, O Primaveril (qualquer comparação com o “sim senhor amém” entre a Brigada do Reumático e os chefes militares da actualidade é mera semelhança! Também promovido a Marechal, Costa Gomes pode ser, pelo cuidado que sempre colocou nas suas decisões e atitudes, cognominado como, O Prudente (ou O Cauteloso).

A fechar a Dinastia, mais um general, desta vez eleito pelo povo (o primeiro PR eleito após o 25 de Abril), António Ramalho Eanes. Foi um presidente verdadeiramente notável, que vendeu bens próprios para pagar despesas da presidência, que recusou, anos mais tarde, não apenas o bastão de Marechal como também a retroactividade remuneratória de cerca de um milhão de euros que lhe foi reconhecida pelos tribunais. Este Senhor mantém ainda hoje uma postura de intervenção longe da ribalta mas junto ao povo, afastado das luzes mas perto da actualidade. Pela sua hombridade, dignidade, competência, brio e desprendimento de riqueza pessoal, pode ser cognominado como, O Altruísta.

A segunda Dinastia – Civil – iniciou-se com os presidentes Civis, começando com o Dr. Mário Soares, provavelmente, o político português mais conhecido no mundo inteiro e arredores. Mário Soares, várias vezes primeiro-ministro, de governos do Partido Socialista e de coligações, quer com o CDS (que ainda não era PP) quer com o PPD (que ainda não era PSD), viria a suceder ao General Eanes na segunda metade da década de oitenta. Fundador do PS, venceu o primeiro mandato apenas à segunda volta numa luta renhida com o Professor Diogo Freitas do Amaral, hoje muito mais perto da social-democracia do que da democracia cristã (o que quer que seja uma coisa e outra). Sem muitas dúvidas quanto ao seu cognome: O Viajante.

O Dr. Jorge Sampaio, também dirigente do Partido do Socialista e presidente da Câmara Municipal de Lisboa viria a herdar a cadeira de Belém numa eleição em que o principal opositor era o actual coiso que hoje (ainda) temos na Presidência da República, logo à primeira volta. Homem frontal, não teve uma vida muito complicada e quando foi preciso puxar dos galões disso fez alarde sem temor, “despedindo” por má conduta o governo de Santana Lopes e associados que havia tomado posse após a fuga desenfreada para Bruxelas, do ex-MRPP, desarrumador de mobiliário da faculdade de direito de Lisboa em tempos que já tinham ido. Pode ficar conhecido como, O Equilibrista.

A fechar a Dinastia porque a história também é feita de ciclos e não apenas de datas, está prestes a terminar o seu mandato (irra) que nunca mais acaba (irra é um desabafo do narrador e não tem fundamento como conceito histórico, é apenas “irra”, pronto), o professor (deu aulas onde?) Aníbal que foi, quiçá, o pior de todos e único verdadeiramente mau, desde a implantação da república; Nero (dos romanos, mesmo sendo imperador) e Sidónio (dos portugueses), incluídos. Mesquinho quanto baste, ameaçador e vingativo, foi deixando a cair a máscara da isenção com que se apresentou de novo a eleições no fim do mandato de Jorge Sampaio. Mesmo quase no  fim do ciclo de vida, ainda estrebucha coisas a dizer que quem manda é ele. No fundo, é um pobre de espírito a quem não  devem ser aplicadas as bem-aventuranças. Sem perder mais tempo em caracteres teclados, poderá ficar conhecido como, O Tendencioso (ou O Mesquinho, O Mumificado ou…bem, qualquer cognome do género serve na perfeição).

A próxima Dinastia  - Dinastia Nova - iniciar-se-á em Março de dois mil e quinze e será certamente diferente. Existe um candidato de excelência que vai fazer essa diferença. Na verdade, desde que o PR, após o 25 de Abril resulta de eleições livres, apenas tivemos um candidato (e PR) independente, tendo os outros emanado directamente dos partidos. Chegou a hora de voltar às origens, à verdadeira essência do papel de Presidente: independência, cultura, inteligência, visão estratégica, proximidade, frontalidade e também, mas sobretudo, a pose de um verdadeiro chefe de estado que só Sampaio da Nóvoa nos oferece. Com a sua candidatura voltei a acreditar que é possível…é preciso acreditar!
Sampaio da Nóvoa, O Presidente!

António J. Branco,In, Crónicas do Meu País

Meia Volta e Marchar

imagesIKMWBJJ7.jpgNunca devemos bater em retirada, no máximo, fazer meia volta e avançar!

Fazer meia volta é, em termos de linguagem militar (ordem unida), inverter o sentido de marcha sem perder o alinhamento, a cadência, o brio e o decoro. É difícil de executar sem treino, mas é admirável a sua execução, daí chamar-se, “Ordem Unida”.

Até ao dia quatro de Outubro do ano da graça do senhor (quem quer que ele seja) de dois mil e quinze, os partidos políticos marchavam desalinhados e, mesmo aqueles que pareciam marchar em cadência correcta mais não faziam do que uma dança ao som de música gravada (playback, de preferirmos). Ou seja, perante os desencontrados, os quase alinhados pareciam o melhor pelotão da parada.

Pareciam...

Depois do dia quatro de Outubro (aquele que aconteceu antes do dia cinco, quando o presidente se retirou para orar em reflexão) o dirigente (em linguagem militar, o comandante) de um partido político que devia ter ganho aquilo (votos) que os quase alinhados perderam, decidiu combater de uma forma nunca antes experimentada (táctica) para conseguir a vitória no confronto (estratégia).

António Costa, ao ser confrontado com uma derrota que não chegou a ser quase vitória, fez o que só os génios (ou quase) conseguem fazer: meia volta e avançar!

Mas não avançar apenas com as suas tropas (sabemos que não tinha os carros de combate suficientes para vencer o inimigo) e, ao mesmo tempo que criava manobras de diversão (reuniões com os quase alinhados), os seus emissários e ele próprio (como um verdadeiro general romano), procuravam construir a arca da “Santa Aliança” – aquela que nunca antes tinha sido até ao dia em que foi.

E o milagre aconteceu: uniram-se as partes distintas formando um quase todo. E isto é histórico, quanto mais não seja porque quebrou as tradições que tanto doem aos quase alinhados. Se tal irá (ou não) resultar é uma questão secundária, a grande manobra diplomática, o recrutamento, esse já foi feito e isso é mais do que louvável, mesmo sabendo da dor de dentes, de cotovelo ou mesmo de corno (salvo seja) que tal causou ao orador de serviço mais às suas beatas choronas (carpideiras viúvas?).

Saber se a união foi conseguida com farinha de trigo, UHU, Araldite ou Super-Cola Três, só o tempo tal nos dirá – o tempo diz sempre tudo a quem estiver disposto a ouvi-lo!

António Costa pode até vir a falhar na estratégia (conseguir uma boa governação) mas não falhou na táctica: Reconhecendo a derrota mas não aceitando ficar derrotado, não deu ordem de retirada: perante a altivez do inimigo que já fazia a contagem os corpos caídos e criava o Local de Reunião de Mortos, fez meia-volta e avançou.

Recordando Emílio Zapata : “Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos”…no fundo, aquilo que os quase alinhados queriam.

Como manda a Ordem Unida: “Meia Vooolta – Em freeente, Marche!

 

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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