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O Meu País

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O Homem do Leme

homem_do_leme.png“…E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!”

O cortejo fúnebre de Zé Pedro – guitarrista fundador dos Xutos e Pontapés – saiu do Museu dos Coches ao som do Homem do Leme, um tema imortal que desapaga uma vida!
O Mostrengo é um poema “fortíssimo” de Fernando Pessoa que, em menos de trinta versos, simboliza a força de vontade e a alma de um povo na sua saga pela conquista dos mares a mando de Príncipe Perfeito (El-Rei Dom João Segundo) – provavelmente um dos melhores Estadistas de sempre da Nação portuguesa, independentemente da existência monárquica ou republicana!
Este poema faz emergir a determinação do Homem do Leme, alguém que, para além da sua força de vontade, tem associada a vontade de um povo, com a experiência de um comandante e a capacidade de motivação de Líder – É a partir destas três valências que nascem, vivem, crescem e não morrem eternamente, os Grandes Homens – Como Dom Afonso Henriques, Dom Dinis e Dom João Segundo (no regime monárquico) e, indubitavelmente, o General Ramalho Eanes no regime que poderemos considerar como a terceira república.
O Líder de um povo, aquele que, “movendo montanhas”, consegue aproximar os vales mantendo as suas distâncias e características, não é (nem tem de ser) o executor de “sentenças políticas” nascidas e inventadas (muitas vezes à pressa) para satisfação e gáudio de estratos sociais da “família” que lhe dá suporte sem que o Homem do Leme – aquele que ata as mãos ao dever sem olhar para as cores do arco-íris – consiga (ou queira) distinguir o Essencial do Acessório, a Estratégia da Tática, o Brio da Vaidade, a Arrogância da Humildade ou até, o Ego do Grupo.
Em cerca de oitocentos anos de Monarquia tivemos alguns reis que foram verdadeiros estadistas – visam combinada entre o presente vivido e o futuro para viver – mas, “de entre os portugueses, alguns traidores houve algumas vezes”. Por outro lado, em menos de quarenta anos de República em democracia (a 3ª República?) poucos foram os que se distinguiram pelos seus actos de ética, competência, hombridade e dignidade, arredando-se na maior parte das vezes engalfinhados em visões de um ganancioso narcisismo, promovendo apenas os frutos da árvore do seu quintal – um país de quintas e de quintinhas?!
O General Ramalho Eanes foi (repito) a Welwitschia Mirabilis do nosso Deserto de Moçâmedes, a água límpida da fonte de um povo que só de há pouco tempo a esta parte o começou a reconhecer como o melhor Presidente da República depois da Revolução de Abril.
Portugal precisa de um líder, não precisa de um comentador;
Portugal precisa de um Comandante, não precisa de um apontador de tarefas;
Portugal precisa de ética, brio, hombridade e dignidade, não precisa de flores narcisas nem de umbigos de amor-perfeito!
Precisamos de outro Dom João Segundo, de outro Homem do Leme, de outro Eanes, de outro Zé Pedro, de Gente Ousada que nos faça tremer de emoção, quer na chegada quer na partida – chegar e partir não é apenas aparecer e desaparecer – Aqueles que partiram não são apenas os que não ficaram!
A emoção que senti ao ouvir o Homem do Leme na hora da partida do músico Zé Pedro, fez-me desejar desviver assim: sem choros pela partida, mas com palmas por um dia ter chegado.

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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