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O Meu País

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Presidentes Falhados, Sábios Comentadores

Temos no nosso País alguns sábios (gente sapiente que sabe muito) que para tudo encontram explicação do passado e previsão do futuro.

Dois dos “nossos” (deles) mais sapientes sábios que sabem muito e que mais assiduidade mantêm na nossa (na deles) comunicação social são, curiosamente (será mesmo uma curiosidade?), dois faladores e opinadores do mesmo partido (isto sim, é curiosidade curiosa, subtil e sui generis).

Um, advogado, foi secretário de estado e ministro mais que muitas vezes (foram vezes a mais, pronto), mas não se lhe reconhecem (eu não reconheço) obras de vulto que o façam ficar na história das pessoas que verdadeiramente sabem (apenas na história daqueles que sabem mesmo muito, que é diferente da outra, claro!). Senta-se insuflado em frente à jornalista (desconhecem-se as almofadas que usa na cadeira mas isso é um mal menor) e, por catálogo, encomenda e requisição, sem qualquer auxílio de vísceras de animais, nem do Oráculo de Napoleão ou do Tarot das adivinhadeiras da SIC, desvenda os segredos mais bem guardados do universo e faz previsões que fariam corar de vergonha o médico renascentista Nostradamus, grande adivinhador da Idade Média, cujas anunciações se descobrem no presente já depois de terem acontecido. Curiosamente (mais uma curiosidade), quando foi presidente do partido nem sequer chegou ao fim da época tendo renunciado após cerca de nove meses de mandato. Falhou como presidente mas vence como comentador. Ora toma!

O outro “um”, também advogado, professor universitário e tal, tem obra feita a fazer adivinhação e a “dezer” as coisas mais verdadeiramente ocultadas que só ele sabe e só ele conhece. Em tempos, nas suas “croniquices” de faz de conta atribuía uma nota aos políticos, como se dos seus alunos se tratassem. Mais tarde, candidatou-se à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, mergulhando destemidamente nas águas poluídas do Tejo como forma de mostrar a sua tamanha valentia contra qualquer gigante Adamastor da política e dos politiqueiros. Perdeu as eleições mas sobreviveu ao mergulho. Ainda mais tarde (ou mais recentemente há uns anos atrás), também foi presidente do Partido Social Democrata e renunciou em menos de três anos, por desamor e discordância irrevogável pelo grande muleteiro de Dom Passos I, O De Má Memória. Também se senta insuflado em frente à jornalista (com dispensa de almofadas, mas isso é o menos) e, sem as mesmíssimas ajudas “adivinhatórias” que o outro também não usa, ousa ir ainda mais além nas profecias e vaticínios, sem, sequer, fazer disfarçado sinal às espíritas da TVI que falam com os mortos em Inglês.

Ali ao lado, Aníbal sem elefantes, faz de mosca morta mas revive quando e como lhe convém!

Com estes dois exemplos de sábia e sapiente falação, demonstramos, assim, a pluralidade da informação do Estado a que (de novo) chegámos.

Dois “comentadeiros” militantes do PSD;
Ambos adivinhadores;
Ambos presidentes falhados.

Mas são “sábios”…lá isso (não) são!

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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