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O Meu País

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A Inexperiência e a Competência

Vou falar (escrever) apenas do que me lembro, sem recurso a qualquer meio de pesquisa. É apenas informação da minha memória, do meu disco rígido (já com muitas horas de trabalho) a funcionar, embora com muitas menos rotações por minuto!

Quando em mil novecentos e setenta e seis, o General Ramalho Eanes foi apoiado (proposto?) por vários partidos (PS, PPD, CDS) para se candidatar à Presidência da República, a sua experiência política, tanto interna como externa, não sendo próxima de zero, era obviamente reduzida face aos políticos que para isso (para serem políticos) se formaram: O General era (e é) um militar, onde os códigos são mais rígidos e a ética é bem mais visível. Mas isso não impediu o General Eanes de, em tempos difíceis de consolidação da democracia, exercer o seu cargo com o maior rigor, isenção, integridade, dignidade e competência. Tal foi a dose que, para o mandato seguinte, já a direita (PPD e CDS fundidos na AD) emparelhava com um general “das suas hostes” para “destronar” Ramalho Eanes, o presidente que fez, também da isenção, a sua marca. Mas Eanes voltou a ganhar; um bocadinho incompatibilizado com Mário Soares (pedra no sapato que ainda hoje faz mossa), mas ganhou e exerceu o segundo mandato com a mesma dignidade e competência do primeiro.

Eanes não precisou de experiência política, nem de ajudas de “jotinhas”, nem de assessores mil. Precisou apenas de usar a competência, a dignidade e a hombridade que caracterizam os grandes Homens, os verdadeiros Líderes. E foi o melhor (no meu entendimento) até hoje, nesta fase da nossa história a que podemos chamar a terceira república (pessoalmente, chamo-lhe isso).

Em oposição de fase (linguagem de electricista) ao “inexperiente” mas competentíssimo general que exerceu o seu cargo como vem nos livros e como tal deve ser exercido, temos o actual presidente (?) que, apesar da sua imensa e alargada experiência política, exerceu (irra que nunca mais acaba) o cargo da pior forma possível: sem isenção, nem hombridade, nem respeito pela constituição que jurou defender (contem-se os diplomas que deixou passar e foram chumbados pelo TC). Fê-lo talvez com inteligência mas sem dignidade, apenas com o intuito de favorecer a sua família política. E conseguiu! É (foi) o pior presidente da república (opinião pessoal) desde a data da sua implantação (Sidónio Pais incluído). Não é apenas “uma opinião pessoal minha”, é a minha convicção de que, no mínimo, um dia assim será julgado pela História, ciência lenta nos julgamentos mas justa nas sentenças!

E eis que, para o acto de dois mil e quinze, temos de novo um candidato isento, sem vícios políticos nem vicissitudes apartidárias. Um homem que veio do povo, do Portugal profundo, oriundo de gente simples e de sorriso fácil. Culto, conhecedor do género humano, de palavra simples mas desengasgada, longe da ribalta e dos bastidores, meio tímido mas temerário, sem medo de avançar contra “os canhões” nem de marchar “contra os barões”.

Falo (escrevo) de António Sampaio da Nóvoa, o candidato que, aos poucos e lentamente submerge do “anonimato” que um cargo de reitor da Universidade de Lisboa (Magnífico Reitor) pelos vistos só o tornou conhecido daqueles que o conhecem. Quase a pedir desculpa por ter esse sonho como meta, Sampaio da Nóvoa é hoje um candidato assumido e, quer venha a ter algum apoio partidário, quer não, já marcou estas eleições, já ficou gravado nas linhas do tempo, nas páginas da memória onde a história o há-de julgar. Os que lhe reconhecem valor mas que o acusam de não ter a tal experiência política nem ser oriundo de uma família política, são aqueles que só têm o partido por matriz e o interesse pessoal por objectivo.

De entre os dois casos apresentados: um inexperiente competente e um incompetente experiente, prefiro obviamente o primeiro.

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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