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O Meu País

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A Soldadura (ou O Cu do General)

No Regimento dos Infantes de Freire, em dia de festa, o Comandante da Região Militar fez uma visita, e na revista às instalações, acompanhado pelo Comandante da unidade e respectivo estado-maior, entrou em todas as capelinhas que havia para visitar, com o pormenor de se saber que naquele dia de visita, os serviços estavam em pleno funcionamento (a maior parte em faz de conta mas isso não intressa). Quase no final da revista, General e comandante do Regimento lado a lado, entraram na Oficina Auto, onde o Primeiro-sargento mecânico, atarefado, lutava com um tubo de escape em cima da bancada suja e sebosa, como todas as bancadas das Oficias Auto. Ao lado do tubo de escape, um maçarico de soldar pronto a cuspir a chama azul, Então senhor Primeiro, o que é se faz por aqui, isto perguntou o General, Olhe meu General, se o senhor não fosse quem é, eu dizia-lhe o que é que estava fazer, mas como o meu General é quem é, digo-lhe apenas que estou a soldar um tubo de escape. Isto respondeu o Primeiro-sargento mecânico.

Foi-se dali, intrigado, o General mais a comitiva que, pensativo, mais adiante perguntou ao Comandante, O que é que raio o Sargento da Oficina queria dizer com aquela conversa toda, O meu General não ligue, que ele não guarda bem o gado, tem cá um pancadão, mas é bom profissional, é o que lhe vale, Tenho que lá voltar e perguntar-lhe, O meu General não faça isso, olhe que o tipo é meio doido.

Mesmo desaconselhado a tal, no fim da revista`ao quartel o General dirigiu-se de novo à Oficina Auto, Então senhor Primeiro ainda a trabalhar, É verdade meu General, serviço é serviço, Olhe cá, o que é que o senhor queria dizer com aquela conversa de que se eu não fosse quem era me dizia o que é que estava a fazer, mas como eu sou quem sou disse apenas que estava a soldar um tubo de escape, O meu General quer mesmo que eu lhe diga, Pois se lhe estou a perguntar, Então eu explico, como o meu General é general e eu devo-lhe respeito e quando me perguntou o que é que estava a fazer, eu tinha de lhe dizer que estava a soldar um tubo de escape, Mas e se não fosse general, Bem...se o meu General não fosse general, e como viu perfeitamente que eu estava a soldar um tubo de escape, eu tinha-lhe respondido, “Estou a fazer um pífaro para lhe enfiar pelo cu acima”.

Ficou-se o Primeiro-Sargento pela oficina, o General engoliu em seco, foi à vida dele e não são conhecidos comentários nem procedimentos disciplinares.

Que raio, há perguntas que não devem ser perguntadas!

António J. Branco, In, Figuras de Cera

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