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O Meu País

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Almas Panadas

Andam algumas por aí, mais do que a precisão delas.

Elas, as almas, que podem ser deles ou delas, conforme o corpo que ocuparam em vivências anteriores, noutras épocas e paranças, noutros tempos e poisanças.

Passeando-se por aqui e por ali, sendo o ali e o aqui, lugares de tão pouca chegança como de afastada distância, passeiam-se sem despudoração nem vergonha panada na máscara que de cara lhes serve, em andanças e abastanças tais, uns tantos nascidos no estado a que chegámos, mostrando lustrosas gorduras novas em rasgados e liberais sorrisos.

Talvez os mesmos, quiçá os tais, que ajudaram el-rei Junot, que apoiaram Filipinos, que colaboraram com os Travas, que fizeram não se sabe o quê, em Alcácer que Vier.

No dia Priemiro de Dezembro do ano da graça do senhor de Mil Seiscentos e Quarenta, um grupo de revoltados revoltosos resolveu conjurar-se e, dirigindo-se ao Paço da Ribeira, atirou pela janela fora um português traidor chamando-lhe Vasconcelos defenestrado, panado no chão da rua. Ao mesmo tempo (ou se não foi ao mesmo tempo, foi quase), a Sabóia de Margarida, Mântua Duquesa, foi prendida numa cela até mais não poder panar.

Alguns anos mais tarde, panados em Távoras, obrigaram Sebastião (não o rei menino – e imberbe – mas o Conde de Oeiras, de Pombal Marquês) a uma grelhada mista em terras de Belém, nos subúrbios de Lisboa.

Provavelmente os mesmos, primos, similares, parecidos ou semelhantes, panando-se no primeiro quartel do século Vinte e Um, quiseram honrar virtudes tais que de longe fazem corar de vergonha envergonhada tais subtilezas passadas pela danação de malvadeza de actos que, a jusante, fazem parecer Pão por Deus, as actuações a montante.

E outras tantas muitas, situações panadas de almas vis, que a ignorância, senhores, me não dá lembrança…

Dão falação em nome de um povo, às vezes incauto e outras, saloiauto, escorrendo-lhes a brilhantina cerebral por entre as torqueses com que trucidam aqueles que de má sorte e em dias defuntos os botaram a Sãobentar Belenzamente!

“Dizei-lhe também que dos Portugueses                                                                              

Alguns traidores houve algumas vezes”.

A danação dramática é que ainda os há, não os portugueses (que esses ainda bem), mas aqueles que existem algumas vezes, sendo algumas, vezes a mais.

Panados estão, mas fritos estamos nós!

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