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O Meu País

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Leitura do Livro dos Actos de Pedro e Paulo

O Apóstolo Pedro (também chamado Simão) foi (reza a lenda) o primeiro Bispo de Roma e, consequentemente, o primeiro Papa. Consta-se que por trinta e sete anos exerceu tal cargo.
O ministro Pedro (presidente do conselho) é (facto histórico) o primeiro chefe do governo a entregar ao seu sucessor o País mais pobre do que quando o recebeu. Sabe-se que já exerce o cargo há cerca de quatro anos e meio.
O Apóstolo Pedro negou por três vezes estar com Jesus Cristo (e conhecê-lo) quando este foi preso em função do beijo de Judas. Quanto o galo cantou, Pedro deixando de negar, chorou arrependido.
O ministro Pedro nega as vezes que forem necessárias que prometeu o que não cumpriu e cumpriu o que não anunciou em função, não do beijo (vamos lá, o homem é mauzinho mas não tem ar disso…), mas do compadrio que o pressionou a alimentar-se de outro modo – é famoso e conhecido o mandamento, “Pedro está na hora de ir ao pote”. Quando o galo cantar (e o povo acordar porque são horas e o sol nasceu), Pedro deverá chorar, não de arrependimento mas de medo que o cargo que já não tem o obrigue a lembrar-se daquilo que também negou e que diz ter-se esquecido ou não se lembrar muito bem (uma espécie de Alzheimer social).
O Apóstolo Paulo (também chamado Saulo) foi um perseguidor de Cristãos que se arrependeu a tempo e, deixando de exercer o privilégio de cidadania romana em Jerusalém, passou a ser “bonzinho graças a Deus”, não sem antes ter sido necessário cegá-lo durante três dias para passar a ver melhor a coisa.
O ministro Paulo (vice-rei da irrevogabilidade) foi um perseguidor de políticos que se arrependeu algures no tempo, quando viu chegada a sua hora de “ir ao pote” e, deixando de exercer o relato jornalístico, passou a ser “mauzinho graças a Deus” (o Deus dos maus, entenda-se), não sem antes ter sido necessário “trair” Dom Marcelo I, O Sabe Tudo, na comum vontade de fazer ressuscitar, nos idos de Março dos anos noventa, a famosa AD dos anos oitenta.
O Apóstolo Paulo foi um dos mais influentes líderes do Cristianismo antigo, sendo-lhe atribuídas treze epístolas, das quais sete são contestadas, por especialistas na matéria quanto à sua autoria.
O ministro Paulo é um dos mais influentes líderes da direita portuguesa, sendo-lhe atribuídas muito mais que as treze epístolas do apóstolo, quer quanto à sua sagacidade, esperteza, e “chicoespertice”, quer quanto à sua navegabilidade em mares profundos, linhas vermelhas inultrapassáveis, irrevogabilidade revogável e outras cadeiras afins, todas com nota máxima nesta e noutras licenciaturas que fizeram dele especialista em caminhar sobre as águas sem ser necessário usar o caminho das pedras que Cristo teve de revelar a Simão Pedro, o primeiro Papa (por dúvidas de interpretação quanto ao aborto ortográfico, não é Papá, é mesmo “Pápa”).
Desde século I dC, acreditar nos feitos de Pedro e Paulo (os apóstolos), é um acto de fé que, não aplaudindo nem repugnando, não contesto.
Desde a mesma data (ou não, conforme der mais jeito), acreditar em Pedro e Paulo (os ministros), é um acto de autoflagelação que, não aplaudindo mas contestando, repugna-me.

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País.

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