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O Meu País

O Meu País

Não Há Novos Neste País

antonioaleixo.gifVós que lá do vosso Império.

Somos um povo manso!

Mas, para além da mansidão que nos caracteriza, sofremos também de uma galopante falta de memória e de uma doentia tendência para fingir que estamos bem, acobardados no limbo do “antes assim que pior”.
Por outro lado, gostamos de recordar o passado, a glória dos descobrimentos e da expansão portuguesa por esse mundo fora, mares sem fim e mais além. Vivemos de história sem recordar a memória, esquecendo (ou não querendo lembrar) de que não há história sem memória nem memória sem história.

Prometeis um mundo novo.

Somos um povo ingénuo!

Tanto acreditamos na virgindade de Maria Mãe de Jesus como na inocência da Dona Luísa de Albuquerque que, “coitadita”, depois de tantas contas de sumir, lá conseguiu um “partetaime” para equilibrar o depauperado orçamento alimentado pelo mísero vencimento de deputada. A dita cuja, exorcizada de pruridos morais, éticos e afins, diz que é tudo legal e nada é incompatível, sendo nisto secundada e parabenizada pelo seu ex-aluno e ex-chefe de fila. Não há qualquer distinção entre legalidade “legal” e legalidade ética. E o povo (manso e ingénuo), encolhe os ombros, assobia para o lado e diz, “fez o mesmo que fizeram os outros”. É um safe-se quem puder! (excepto o coxo porque é coxo, o cego porque não vê e o burro porque é burro).

Calai-vos que pode o povo.

Somos um povo manipulado.

Folheamos jornais (mesmo a maior parte sendo pasquins) e revistas, visualizamos estações de televisão e ouvimos estações de rádio, engolindo os comentários "inteligentíssimos" dos comentadeiros sábios que sabem tudo e parece-nos que nada mudou nestes últimos três meses: Dom Coelho (e associados) continua a dar voz acima de tudo e de todas as coisas como um qualquer deus que, numa omnipotência omnipresente, cloaca para o exterior a verborreia de ditos e desditos contraditórios, emitindo em cada caractere escrito e em cada som pronunciado um certificado de burrice aguda a cada um de nós, manipulando-nos cada vez mais nesta mansidão de ingénua comodidade.

Querer um mundo novo a sério.

Somos um povo triste.

Não apenas triste na tristeza mas também (e sobretudo) triste na inércia da partida, na alma dos sentimentos, no medo de mudança, na ansiedade da chegada, na aventura da descoberta, na dúvida do contraditório, na condenação por osmose, na mesquinhez da inveja e na ousadia de querer ousar.
Não há Afonso Henriques, nem João II que nos valham.

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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