Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Meu País

O Meu País

O Oráculo do Professor na Arte de Virar Búzios

“Vê como os búzios caíram virados p’ra norte…”.

Esta é uma das estrofes do fado “Os Búzios” (refrão), cantado por Ana Moura, no álbum “Para Além da Saudade”: uma forma lírica e romântica de não aceitar o destino “destinado” e mudar o destino traçado.
Mas Portugal não é um fado de destino destinado (mesmo tendo sido tal canção criada no nosso País). Portugal tem que ser um País com destino definido e traçado por quem o habita.

Traçado por quem pode, neste momento, fazê-lo: os seus eleitores!

O senhor presidente da República não pode ser a velha (mesmo dizendo coisas e loisas próprias de velho sem dentes) dos Búzios, muito menos dobrar o lenço e dar-lhe dois nós (“a velha agitava o lenço, dobrou-o, deu-lhe dois nós”).

O acto eleitoral do próximo domingo não é uma adivinhação visceral, nem uma leitura das cartas de Tarô, nem do Oráculo de Napoleão, nem de gestão da forma como os búzios vão cair.

Voltando ao refrão de “Os Búzios”: “À espreita está um grande amor, mas guarda segredo…”.
Quando, há mais de quatro anos atrás, os dois partidos que integram a coligação PaF, concorreram para se amigar nesta legislatura que nunca mais tem fim, fizeram-no isoladamente, namorando às escondidas mas desdenhando e querendo comprar, como diz o povo. E compraram.

Compraram a dignidade de um povo, pelo menos daquele que se deixou vender a troco de trocos avulso.

Depois do namoro escondido, sempre com o pai santo (“E o seu pai santo falou, usando-lhe a voz”, vigilante e sedento de dar colinho aos noivos incestuosos (porque irmãos filhos da mesma mãe política), eis que, o tal grande amor que espreitava, deu em casamento com separação de bens: juntos até ao casamento, depois, cada um com os seus haveres.

Juntos na coligação, independentes na Assembleia da República, cada um tem o seu grupo parlamentar: os seus búzios!

E é aqui que o “pai santo”, qual professor espírita de ciências ocultas se prepara (ao que parece) para virar os búzios, caso caiam para norte, que é a mesma coisa que dizer, caso caiam, maioritariamente, para a esquerda!
Preferia que nesta data, os eleitores portugueses manifestassem a sua ira por estes quatro anos meio de venda de dignidade e património a retalho, dizendo claramente aquilo querem ou, no mínimo, aquilo que não querem. Contudo, se por comodismo, indiferença, desilusão ou desinteresse, o não disserem de forma clara, o senhor presidente não pode nem deve virar os búzios; apenas tem de saber ler os resultados: o partido que obtiver mais deputados deve ser convidado para formar governo. (Ponto). O resto é problema desse partido. (outro ponto).

Portanto, ao contrário dos Búzios, alterados pela Velha, o destino não pode, em democracia, ser mexido, alterado a gosto e a contento.

Não é preciso ser engenheiro de política quântica para perceber isto.

Muito menos professor (duvidoso) de economia.

Só é preciso saber ler e contar: quem tiver mais búzios (independentemente da forma como caírem) deve governar, ou pelo menos tentar fazê-lo.

O grande problema é que parece haver, tal como no fado, “Um desespero intenso na sua voz, e o quarto cheira a incenso mais uns quantos pós…”.

Nós podemos ajudar? Podemos!

Basta lançar os Búzios.

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D