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O Meu País

O Meu País

Os Que Estão, Os Que Querem e Os Que Não Querem

Estamos a percorrer um caminho perigoso, uma estrada sinuosa de curvas alinhadas em contracurvas, onde as bermas se apertam em carreiros estreitos de liberdade de expressão ameaçada, sonegada, obstruída e roubada (roubo mesmo, com armas de ameaça emocionais).

Faltam pouco mais de duas semanas para o povo (nós todos, portugueses) ser chamado de novo a eleger uma Assembleia da República que permitirá a formação de um novo governo, ou de um governo novo (do trocadilho, prefiro o segundo).

Sei perfeitamente o que quero e em quem votar: para mim, nem os debates manipulados, nem as entrevistas suspeitas, nem as sondagens à medida, nem a campanha eleitoral esbanjadora (qualquer que seja o montante, conjuga-se o verbo “esbanjar”) irão influenciar o sentido de voto. Ou seja, basta-me (e como basta!) o comportamento dos políticos do Meu País ao longo destes últimos quatro anos e meio.

Os que lá estão – PSD e CDS – (“Vós que lá do vosso império”), jogam com a memória (ausência dela) dos eleitores fingindo que desde dois mil e onze até hoje, só são responsáveis pela saída dos Troicanos e nunca pela entrada. Não falam do futuro, e apenas se entretêm a desculpar-se com um passado que já foi discutido e julgado, escusando-se em jogo de empurra e cabra-cega como meninos mal comportados, a atirar culpas para outros meninos, numa alarvidade de lugares comuns, praticada por gente (gentinha) que na sua maioria mais nada fez na vida que ter sido ser “jotinha” disto e daquilo e daquilo e disto.

Os que não estão, nem na verdade querem estar – PCP e BE – (“Prometeis um mundo novo”), jogam com a memória (falta dela) dos eleitores fingindo que não têm qualquer culpa pela situação criada pelos próprios, quando, na verdade, acendendo o rastilho da desesperança, se aliaram ao PSD (os que lá estão) para fazer cair um governo que teimava em não querer escrever aos Troicanos. Hoje, ambos se comportam e actuam como se estes últimos quatro anos e meio tivessem sido governados por quem para lá quer ir (PS) e não por quem lá está (PSD e CDS). A esquerda portuguesa é “fantástica”: só se eleva e pretende elevar-se, com doses maciças de descontentamento popular. O resto não interessa, desde que o inimigo a abater seja o Partido Socialista. Os outros combatem-se depois com greves e manifestações!

Os que para lá querem ir – PS – (“Calai-vos que pode o povo”) e na verdade já lá estiveram muitos anos intercalados com os que lá estão, jogam com a memória (falta dela) dos eleitores fingindo que, agora aqui chegados, querem outro caminho, querem de outra maneira mas não sabem muito bem como. Têm o mérito de (bem ou mal) falar do futuro sem renegar o passado, assumir contas e planeamento e de o seu dirigente ser um homem de trabalho, com percurso conhecido, sem carimbos “jotinhados”. Não estão isentos de culpa (ninguém está) e serão, quiçá (quiçá quer dizer sim neste contexto), a par dos que lá estão, os que mais contribuíram para que, em quarenta anos de democracia, os três “Dês” (Dinamizar, Democratizar, Desenvolver) não tenham sido (ainda) alcançados.


Os que não estão, nem querem nem vão conseguir (“Querer um mundo novo a sério”) ir para lá – a miríade dos minúsculos partidos – jogam também com a memória (falta dela) dos eleitores fingindo que existem de quatro em quatro anos, para amealhar uns tostões por cada voto recebido que os consiga manter “vivos” e de “loja aberta ao público”. Nem vale a pena gastar mais caracteres com estes tais.

De entre todos e pedindo desculpa a António Aleixo pelo abuso dos seus poéticos escritos, prefiro, ainda assim, “Calai-vos que pode o povo”.

 

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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