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O Meu País

O Meu País

Pelo Nóvoa é Que Vamos

São caminhos estreitos,
Estas veredas que nos conduzem
E que nos levam ousadas,
Roçando nas esquinas do medo
E dos sonhos entremeados
Pelos pântanos de afundar.

São carreiros afunilados,
Os trilhos gastos da serra
Da íngreme encosta escalada,
Pegajosa de mato estevado
Em molhos de indiferença parada
Dos olhos cegos da alma.

São pegadas cicatrizadas,
As marcas daquele horizonte
Por entre a névoa de um sonho expandido,
Preso às correntes do medo
Por elos inacabados, de uma corrente
Impregnada de mil ideias do passado.

São gestos entrelaçados,
No limiar desta ousadia
Navegando por cabos armadilhados,
Onde os gritos e os sussurros
Sopram ventos ventados perdidos nos túneis sem luz
Medonhos de caminhar, e assustados de sentir.

São marcos contemplados,
As balizas avistadas na ousadia do sentir
E na vontade de sangrar na batalha de ganhar,
Consciência escrevinhada de palavras não dizidas
Nas lágrimas aconchegadas pelos fluidos baralhados
Dos raios de luz ofuscada que os gritos silenciaram.

São vontades de não perder,
O poeta que se confunde em companheiro de viagem
Na caminhada angustiada,
Em olhar moldado de espanto mas sem medo de lutar
Na batalha por batalhar, neste lugar por conquistar
Ainda longe, no outeiro por subir.

São mãos entrecruzadas,
Por dedos alinhados de espanto sem anéis de fingimento
Nem jóias de embelezar nem brilhantes de encantar,
Nem fantasias politizados nas veias a palpitar onde o sangue a percorrer
Agita os cabelos da calma apressada de vencer
A corrida começada.

É o candidato a sonhar,
Com os Grandes do país
Na história dos vencedores: os que partiram e ficaram,
E viveram glorificados nas terras onde os beirais
Dos telhados a pingar se encharcaram pelas lágrimas
Que tombaram neste chão, de esguias desvirtudes.

Sou eu que temo ser,
Um viajante indeciso, entre peregrino e caminhante
Pelas asas a pairar em desfiladeiros abismados,
Desenhados no imaginário da fantasia vadia
Perdida nas luzes ofuscadas
Da noite muito noitada.

São os caminhos estreitos,
Em carreiros afunilados pelas pegadas cicatrizadas
Dos gestos entrelaçados e dos marcos contemplados,
Nas vontades de não perder as mãos entrecruzadas
Deste Nóvoa sem hesitar, em proclamar e sentir
Aquilo que quer Ser.

 

António J. Branco, In, Existências

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