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O Meu País

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Sampaio da Nóvoa: Um Físico das Palavras

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 Terminei a leitura do livro de memórias – Está a Brincar Senhor Feynmam? – de Richard Feynman, físico norte-americano vencedor de um prémio Nobel (da física, obviamente). Ao contrário de muitos livros de memórias em que a leitura se torna aborrecida (chata), insípida e egocentrista, a leitura deste livro permitiu-me conhecer uma pessoa brilhante, extremamente inteligente, quebrador de regras instituídas, que não se envaideceu com a fama nem com todos os sucessos alcançados: uma pessoa que apenas viveu do seu acumular de conhecimento, da sua simplicidade, da sua clareza de raciocínio e da sua luta na vontade férrea de vencer e chegar sempre mais longe e mais além.
Rechard Feynman, numa visita de trabalho ao Japão, perguntou a um colega (físico japonês), como é que o Japão, destroçado pela guerra (Richard Feynman fez parte da equipa que desenvolveu a Bomba Atómica), conseguiu sobreviver e reerguer-se em tão pouco tempo. A resposta do seu colega japonês foi muito simples: “Investimos no conhecimento e na educação e acreditamos que um povo só pode sobreviver e progredir, se for cada vez mais culto, se investir no seu enriquecimento cultural”. Assim, nesta simplicidade, sem vaidades nem fórmulas científicas complexamente trabalhadas: um povo vai mais além, se tiver conhecimento e cultura.
Não li, ainda (julgo que nem sequer foram escritos), os livros de memórias de Marcelo de Sousa nem de Sampaio da Nóvoa – ambos merecedores, certamente, dessa narrativa – mas, se um dia tais obras chegarem ao público leitor, confrontar-nos-emos com discursos bem distintos: de um lado (Marcelo de Sousa), a vaidade e o discurso engalanado, do outro (Sampaio da Nóvoa), a simplicidade e a clareza de raciocínio sem chavões meteóricos de conveniência. Ambos têm em comum o facto de serem professores e terem trabalhado na mesma instituição. Mas fizeram-no em percursos diferentes: Um (Marcelo de Sousa), vindo da “elite” de uma classe socialmente privilegiada, leccionando na Faculdade de Direito, ao mesmo tempo que recrutava seguidores na feira de vaidades das televisões, na presidência (falhada) de um partido político, na candidatura (falhada) à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, na ânsia planeada ao pormenor, de um dia chegar à Presidência da República – mesmo sendo um cata-vento de opiniões, nas palavras em tempos proferidas pelo chefe do seu próprio partido que agora, passado muito pouco tempo, desdiz e renega. O outro (Sampaio da Nóvoa), Reitor da Universidade de Lisboa, vindo da simplicidade e das gentes do povo anónimo, aprofundando conhecimento acumulado, sem muletas de partidos, nem de televisões (vaidosas), nem de candidaturas (falhadas), nem de favores aristocráticos ou burgueses, apresenta-se na sua vontade de mudança, baseado tão-só, na sua comunhão de ideias com a cultura do seu (nosso) povo.
Tal como Richard Feynman, o físico que aprendeu a falar português, que desfilou tocando “Frigideira” no carnaval do Rio (deu aulas no Brasil durante algum tempo), que tocou tambor (ritmos africanos), que recusou pagamentos pelas conferências, que quis pintar para ver como era a arte, que se divertiu fingindo de músico mas que, no fundo, foi um sábio, também na sua simplicidade, António Sampaio da Nóvoa, surge-nos como um Homem Novo, numa política Nova, num discurso Inédito virado para um Portugal de Cultura, de Mudança e de Esperança desinteressada, acreditando apenas na sua sabedoria, cultura e conhecimento – dai ao povo cultura e conhecimento e o povo se encarregará de engrandecer!
Sampaio da Nóvoa é um Físico das palavras simples, daquelas que, sem serem banais, são compreendidas por todos.
Pelo Nóvoa é Que Vamos!

António J. Barnco, In, Crónicas do Meu País

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