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O Meu País

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Trovas de Um Tempo Nóvoa

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Um tempo novo não é só uma versão ou evolução de um tempo velho, é um tempo que não se faz apenas com o renovar de cada dia que nasce depois de cada dia que termina: Um tempo novo, mais do que um tempo medido no calendário dos dias e das horas, é uma renovação de convicções, um renascer de mentalidades, um ressurgir de esperança, um desabrochar de vontades e de sorrisos em rostos fechados e desesperançados.

Aconteceu um Tempo Novo em Cinco de Outubro de Mil Novecentos e Dez com a implantação da República, tal como tinha acontecido em Mil Quatrocentos e Quinze, com a conquista de Ceuta e o início da expansão Portuguesa, ou em Mil Setecentos e Cinquenta e Oito com a anulação do poder da Nobreza (demasiado nobre) e dos Jesuítas por EL-Rei Dom José I, sob proposta do seu ministro Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal). Aconteceu Tempo Novo em vinte e cinco de Abril de Mil Novecentos e Setenta e Quatro, com a deposição de um regime político ditatorial e castrador e a restauração da liberdade de pensamento.

O Tempo Novo acontece quando o acto de mudar e a mentalidade de mudança estão sincronizados no mesmo compasso de tempo, na mesma partitura musical, na mesma conjugação de ideias, em igual construção frásica, em perfeita comunhão de corpo e alma, em ideais de justiça de olhos vendados, na conjugação de esforços mútuos, na subida e descida das colinas da condição humana: O Tempo Novo só acontece, quando o Homem Novo em tal se torna.

Ao longo de quarenta anos de democracia mais quase vinte que vivi em ditadura, fui vendo o sonho crescer, descobrindo-o por entre árvores esguias de esperança e montes esbatidos de incerteza, em parceria com a angústia de sombras e nuvens de um olhar que corria em ziguezague por entre os outeiros de cada terra descoberta. Acredito que estamos de novo no Tempo Novo, neste tempo em que os partidos de esquerda tiveram tempo para chegar a um acordo (ainda que frágil) em crescimento, em processo de solidificação, em caminhada de ajustamento.

Se a História precisa de um intervalo de cerca de cinquenta anos sobre os eventos para que possa fazer a sua análise científica, estamos então no tempo certo, a caminho de redescobrir Abril e curar, de novo, o Estado a que chegámos (de novo).

A História que se fez em finais de Dois Mil e Catorze está ainda incompleta, não pode desesperançar-se nem turvar-se perante a hipótese de eleição de um Presidente da República vindo dos confins do passado, naquilo que o passado tem de mais mórbido e mais medonho: o medo de viver e de mudar, o medo imposto por crenças em nome de um “deus pai” que nunca o foi, o medo de aceitar como novo aquilo que não queremos que continue velho, o medo de escolher diferente no universo dos que parecem iguais.

É preciso ousar, é de gente ousada que se faz a História, foi gente ousada que ergueu um dos países mais antigos do mundo, não tenhamos, pois, medo da ousadia.

António Costa deu o primeiro passo, acredito que Sampaio da Nóvoa dará o segundo, se assim não for, o Tempo Novo que nasceu será apenas um tempo velho que hesitou, e um país não pode viver de hesitações.

Um Tempo Novo que Nasce não pode ser apenas um tempo velho que se apaga.

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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