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O Meu País

O Meu País

Um Aluno Vencedor

Um dos meus ex-alunos ganhou um prémio de desempenho.

Entrou porta adentro da sala de aula no ano lectivo de 2010/2011, para frequentar o curso de Instalador e Reparador de Computadores, cujo aproveitamento final lhe daria acesso à equivalência escolar do 9º ano e certificação profissional de nível dois, reconhecida na União Europeia. Tinha, na altura, dezoito anos mas, por razões mais do que diversificadas, ainda nem sequer completara o ensino básico.

Porquê, senhor Gonçalo?

Muitas razões “stôr”, muitos problemas familiares e também alguns de saúde. Se não foi esta a resposta à minha pergunta nos seus termos aqui transcritos, foi muito parecida e o resultado, como a propriedade comutativa, não se altera.

Tinha – provavelmente ainda terá – uma personalidade forte, por vezes quase dominadora na sua ânsia de mostrar conhecimento, de não passar por ignorante, de saber sempre mais e de estar actualizado em permanência. Muitas vezes negociámos opinião sem que nenhum de nós ficasse a perder nos seus fundamentos.

Pouco dado a relações cordiais e espontâneas, enclausurou-se num reduzido grupo de colegas, no qual, com alguma frequência, fazia finca-pé de atitudes numa perspectiva de menino mimado que afinal não era. Tinha apenas carência afectiva e necessidade de ser o centro das atenções.

Ao mesmo tempo que fazia questão em ser dos melhores, cometia o “pecado” da assiduidade e pontualidade, escudando-se em maleitas de constante surgimento, num mundo de turbulência vivido entre a guerrilha de progenitores desavindos e a necessidade de apoiar o núcleo familiar que não o abandonara.

Já em estágio – última componente do curso – pedi-lhe que viesse participar no dia da escola, em tempo extra, numa apresentação no âmbito do curso. Não sem alguma vaidade associada actuou como um profissional e falou de segurança informática, com o à vontade que o conhecimento do seu nível lhe conferiu. Convenceu a audiência, não só pelo entusiasmo colocado na exposição como também pela segurança de quem, em menos de dois anos, adquirira a confiança que ao início lhe parecia faltar.

Pela interacção que ainda mantemos parece-me, hoje, um homem feito. Certamente ferido pelas reminiscências físicas do passado mas confiante e pronto para enfrentar as feras do futuro.

Quanto ao prémio que agora ganhou, vale o que vale e nada mais do que isso, a verdadeira recompensa, o verdadeiro prémio que conquistou, está na postura de homem e no sucesso de quem, chegado com atraso à sala de aula, soube olhar em frente, caminhando em sentido oposto ao passado.

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