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O Meu País

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Um Estilo Manuelino...

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No último quartel do século XV, foi aclamado como Rei de Portugal, Dom Manuel I, O Venturoso, também conhecido pelo Afortunado e O Bem-Aventurado. Em poucas palavras: Dom Manuel I teve muita sorte (Ventura e/ou Fortuna) e soube trabalhar muito bem.
No primeiro quartel do século XXI, foi eleito Presidente da República o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que não tem cognome porque aos presidentes não se lhes atribui tal “apêndice”. Em poucas palavras: o Professor Marcelo fez pela vida (e pela sorte) e soube trabalhar muito bem.
Regista-se um empate.
Por má sorte (ou má fortuna) Dom João II, O Príncipe Perfeito, não teve descendência que garantisse a sucessão do Reino de Portugal.
Cerca de Quinhentos anos mais tarde, o Professor Marcelo, não teve, verdadeiramente, candidatos “com força suficiente bastante” para lhe fazer frente numa eleição ganha antes de começar: Estava garantida ou, como se diz na gíria popular, estava “no papo”.
Outro empate.
El-Rei Dom João II – um verdadeiro estadista, quiçá o melhor até hoje – ao querer limitar o poder da nobreza teve de agir com astúcia, coragem e valentia no interior da sua própria corte, na qual, ele mesmo deu fim à vida do Duque de Viseu, seu cunhado (irmão de Dom Manuel I) que contra si conspirava. Após a morte (aos dezoito anos e de contornos esbatidos) do Infante Afonso, seu sucessor, Dom João II tentou que o reino fosse entregue ao filho bastardo (Jorge de Lencastre) sem que para tal tivesse tido sucesso. Diz-se que nesta desventura o seu cunhado Manuel (o que viria a ser O Venturoso) manobrou na sombra (bastidores) os bastantes (todos e suficientes) cordelinhos e pauzinhos da sua Ventura. Dom João II sabia da astúcia do cunhado (e primo) mas como este nunca o afrontou nem menosprezou, acabou por, já moribundo (ou quase) e contrariado, entregar-lhe o poder.
Quinhentos anos mais tarde, contrariando a vontade (não a explícita mas a implícita) do presidente do seu partido, o Professor Marcelo candidatou-se à eleição para a Presidência da República, um trabalho iniciado cerca de dez anos antes, como “cronista do reino” na arte de bem comentar aquilo que os outros faziam (ou deixavam por fazer). Político ágil, astuto, inteligente, simpático e batalhador, não desistiu dos seus intentos ainda que tivesse sido apelidado de cata-vento de opiniões pelo presidente do seu partido (aquele que o aceitou não o querendo para tal).
Outro empate com Dom Manuel I: Ambos, na sua perseverança e agilidade astuciosamente paciente, souberam, passo a passo, construir o caminho da Ventura: um em direcção à Coroa de El-Rei, o outro em direcção à cadeira de Belém.
Dom Manuel I, ainda que tendo sido aclamado rei pela via indirecta, reinou vinte e seis anos e foi um bom Rei. Para além da sabedoria com que geriu os descobrimentos, deixou-nos o conhecidíssimo estilo Manuelino. Fica na história do lado dos bons, daqueles que Fizeram.
O Professor Marcelo (ao contrário de Dom Manuel) foi eleito pela via directa e, se a história se cumprir, presidirá por dez anos. Ao contrário do seu antecessor, esperemos que não fique na história do lado dos maus.

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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