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O Meu País

O Meu País

Madrugada de Um País

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 A História é sábia e não perdoa. Ainda que não nos agrade e nos vergue a passados que não gostamos de lembrar e que nos envergonham...

O Golpe de Estado do Vinte e Cinco de Abril de Mil Novecentos e Setenta e Quatro, transformado no mesmo dia pelo povo em Revolução, acontecido há quarenta e quatro anos no País fundado por Dom Afonso Henriques, marcou um dos acontecimentos mais influenciadores da história do século vinte Português, protagonizada por uma das suas mais ricas gerações de militares. Muitos deles injustiçados, marginalizados, esquecidos, estigmatizados, emprateleirados e embrulhados na poeira inerte das coisas estagnadas.

A par da Revolução de Abril, a implantação da República marcou o fim de um ciclo e o início de outro: os dois acontecimentos com consequências diferentes, mas ambos com objectivos comuns: Instaurar a democracia. O processo que se seguiu a cada destes actos (considerando os insucessos verificados) não desvirtua nenhum dos dois.

Se na implantação da república, a turbulência que sempre marca as tempestades de um povo não habituado a pensar e a agir em grupo tendo por base pensamentos maioritários, acabou numa ditadura disciplinadora de finanças mas castradora de pensamentos, na Revolução de Abril a turbulência foi vencida em pouco mais de dois anos de finca-pé e de “euforia” à toa, dando lugar, lentamente e passo-a-passo, ao estado que somos hoje; “ao estado a que chegámos” por iniciativa dos homens que na altura com trinta anos fizeram aquilo que alguém, algum dia, teria de fazer. Hoje têm mais de setenta anos – alguns, porque outros ficaram pelo caminho: lembre-se Melo Antunes e, sobretudo, Salgueiro Maia. E se os homens deste País não fizerem justiça aos seus heróis (é conhecido costume da injustiça da Pátria), a história o fará um dia: implacável, indiferente e verdadeira.

Encontrei pelo caminho – pessoal e profissional – alguns dos homens que aos dezasseis anos marcaram a minha vida num dia em que as aulas deram lugar aos cantares, aos comunicados e à estupefacção geral por, também em Portugal, acontecerem coisas que só noutros países tinham lugar. Memorizei alguns dos nomes e, há uma dezena de anos atrás, um amigo comum – também ele Capitão de Abril – perguntou-me, apontando para o homem que tinha ao seu lado “Conhece”? “Conheço o nome, mas…”, disse eu, emendando de seguida, “Espere, é o … do Conselho da Revolução".

“Ainda há memória viva” e sorriu, desencantado pela ingratidão da Pátria, mas reconhecido pela memória do povo.

Estes Homens cumpriram aquilo a que se propuseram: terminaram e começaram, começaram e terminaram. O tudo por fazer e o tudo feito. Acabaram com “o estado a que chegámos” entregando o País à sociedade civil.

A partir daqui a História é outra e não é culpa dos Capitães, mas talvez seja da Pátria que continua a fazer o que costuma…

António J. Branco, In, Crónicas do Meu País

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